Após o ocorrido no HM de Ji-Paraná, Dr. Vitor Ornelas se pronuncia, e se demite

0

Meu nome é Dr Vitor Ornelas, sou cirurgião geral de formação, e atuo no pronto socorro do Hospital SESP municipal há cerca de 3 anos, como plantonista especialista em doenças cirúrgicas (como por exemplo apendicite, úlcera de estômago perfurada, hemorragia interna em decorrência de um acidente automobilístico ou queda de altura – lesões, estas graves com risco iminente de morte e por isso são denominadas emergências, e estas devem ser prontamente atendidas).

A equipe do Hospital Municipal é quem é a responsável pela realização da triagem dos pacientes. Quando o paciente chega no hospital o primeiro lugar aonde ele passa é no setor de triagem. Neste setor verifica se os sinais vitais (pressão arterial, frequência cardíaca, quantidade de oxigênio no sangue), com isso verifica se a gravidade do paciente e para onde o paciente deverá ser atendido. Ex: Por exemplo um candidato a presidente tem um ferimento penetrante no abdômen ocasionado por arma branca, situação esta inclusive ocorrerá ha poucos meses, paciente é classificado como grave e encaminhado imediatamente ao PRONTO SOCORRO para ser atendido pelo CIRURGIÃO.

Já se o paciente teve uma lesão que não é grave, não possui risco de vida, que ocorreu há vários dias (como por exemplo: uma queimadura na perna) é encaminhado para o PRONTO ATENDIMENTO para ser atendido pelo CLÍNICO GERAL.

No hospital municipal eventualmente doenças não urgentes e até mesmo da competências de outras esferas de especialidade como por exemplo ginecologista, otorrinolaringologia, ortopedia, etc, são ERRONEAMENTE encaminhadas ao cirurgião, gerando inequívocos prejuízos ao paciente, e ao hospital.

Nesta terça-feira dia 3 de outubro, este fato ocorreu por diversas vezes, como por exemplo, um indivíduo que bateu o joelho há 10 dias e hoje gostaria de tirar umas dúvidas, uma criança estava jogando vôlei e realizou um saque e seu pulso esta doendo, um rapaz que veio para retirada de um dreno no joelho, torção no tornozelo, torção no joelho durante o trabalho. Estes são pacientes que sem dúvida necessitam de atendimento, mas realizados no pronto atendimento com o clínico geral.

O paciente da queimadura, tratava se de um ferimento leve, superficial, que segundo o próprio paciente disse ali estar “ para fazer um curativo e pegar uma receita “
Isto gera desgaste na equipe do pronto socorro, além de ocupar o tempo que deveria ser dedicado a doentes mais graves.

Por diversas vezes, a equipe de cirurgia geral já havia comunicado as autoridades competentes. Neste dia comuniquei a enfermeira responsável sobre que estes casos não urgentes fossem encaminhados ao pronto atendimento, pois eu estava com uma paciente grave que precisava ser operada imediatamente. Foi esse o início da discussão, quando os ânimos se exaltaram após enfermeira concursada discutir com o médico (observe que em nenhum momento a discussão foi com o paciente queimado, que realizou o vídeo). “REVEJA O VÍDEO CLIQUE AQUI.”  Eu estava atendendo o paciente da queimadura. E chamei, em pessoa, o colega plantonista para atender a criança. O DR. Gilberto Barros atendeu a criança, realizou a medicação e encaminhou a criança para a PEDIATRIA para observação.

Iniciamos a limpeza e o curativo, usando luvas e uma solução anti-séptica própria, após consentimento do paciente , que até então estava sendo atendido de forma padrão e com cordialidade. Prova disso foi que ele saiu com a limpeza e o curativo bem realizado, com receita de antibiótico e anti flamatório, inclusive no final ainda disse “ muito obrigado doutor “. O fato deste indivíduo ter realizado, editado e postado de forma pejorativa nas redes sociais me surpreende.

Durante o atendimento invade o pronto socorro, uma senhora aos gritos, desacatando todo mundo, dizendo que seu filho havia mordido a língua.
Isso era 17:30.
A criança estava com abdômen em tábua e PERITONITE.
A mãe da criança continuou exaltada e deferindo palavras ofensivas ao médico que acabou se estressando.
Apos alguns minutos, calmamente realizei uma cirurgia de emergência no centro cirúrgico de apendicectomia em uma criança que estava a vários dias retornando ao hospital.
Eu reitero que minha atitude no vídeo não é prudente e peço desculpas a todos, mas que ela é reflexo político de um eventual contexto da precariedade do serviço público.
Em nenhum momento alguém deixou de ser atendido, portanto não houve omissão.
Portanto a responsabilidade do cirurgião é de salvar vidas, estar preparado para coisas mais graves. Que essas coisas menos graves devem ser atendidas pelo clínico geral.

Para finalizar: agradeço imensamente as pessoas que estão me apoiando na internet, as pessoas que me ligam, me visitam, meus amigos, etc. E dizer pras pessoas que espalham o ódio, sem saber a veracidade dos fatos que eu as perdoo pois elas não sabem o que fazem. Obrigado. Brasil acima de tudo, Deus acima de todos.
E o término do mandato vai ate dia 5 desse mês.
Em relação as fofocas em relação ao emprego, ninguém entrou em contato comigo para afastar de minhas atividades de plantonista em Ji Paraná. O atual secretário de saúde, Dr. Renato Fuverki, a qual tenho maior prestígio e afeto, encontra se viajando.
Quem esta no lugar é o Dr. Antelmo.
Diante disso, antecipando quaisquer decisões, já me demiti. Portanto não trabalharei mais em Ji-Paraná, desde já, afinal pretendo iniciar estudos fora.

COMENTÁRIOS PELO FACEBOOK


DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here